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Prefeitura da Cidade do Recife

#TBT101 – Por Trás da Coxia | O teatro recifense nos anos 1990

POR TRAS DA COXIA COM GABI DE SA E LEIDSON FERRAZ

Print do bate-papo gravado no YouTube. Gabi de Sá recebeu Leidson Ferraz no estúdio da Frei Caneca FM.

Por Heitor Vicente 

Toda quinta-feira, a Frei Caneca FM publica a coluna #TBT101, onde toda quinta-feira publicamos uma entrevista que já foi ao ar na rádio pública do Recife para você ficar por dentro. Nesta semana, a 101.5 relembra com você uma entrevista veiculada no dia 4 de março de 2026, no programa Por Trás da Coxia. Gabi de Sá conversa com Leidson Ferraz, pesquisador e crítico de teatro, sobre os sucessos e as dificuldades da década de 1990 na cena do teatro recifense, além da importância de conhecer essa história para valorizar a cultura e a resistência artística.

Confira um trecho:

Gabi de Sá: A década de 1990 se encaixa onde, assim, na nossa história [do teatro]?

Leidson Ferraz: Olha, a gente tem que lembrar que, antes de ela começar, houve um racha no Brasil, que foi a ida de Fernando Collor de Mello para a Presidência da República, cheia de esperanças, mas que, na verdade, foi um engodo. Ele afundou o Brasil e, principalmente, o setor cultural. A área do cinema foi totalmente destruída por ele, e o teatro também sofreu essa reverberação. Então, eu estava lembrando agora que, no começo dos anos 90, a gente teve o desaparecimento de companhias importantes que trabalharam muito na década de 80, com uma produção intensa. E, com aquele roubo que houve das cadernetas de poupança do Brasil inteiro, as pessoas não tinham mais como produzir. Por outro lado, aqueles empresários que apoiavam o teatro, e aí eu estou me referindo às lojas de tecido, aos motéis, aos bancos que davam patrocínio para as peças de teatro, porque a gente ainda não tinha as leis de incentivo como temos hoje, esse empresariado arrefeceu. Ele não quis mais, mas também não tinha como bancar, nem apoiar a cultura. Então, a gente perdeu muito.

Gabi de Sá: Existem outros grupos ou artistas que você considera fundamentais para entender esse período? Para quem quer estudar, reviver a década de 90, existiria algum grupo específico para a gente voltar e entender essa década especificamente?

Leidson Ferraz: Sim, tem um marco para a década de 90, que é a estreia de Cinderela, a História que Sua Mãe Não Contou, da companhia Trupe do Barulho. Eles estrearam em 1991, e aquilo ali foi um fenômeno. Por quê? Porque eram artistas que já trabalhavam com teatro. Inclusive, hoje eu encontrei Flávio, o Flávio que a gente chama de Flávio Carão, que hoje não está mais fazendo teatro e que era uma das filhas da madrasta da Cinderela. Um artista incrível. Então, eram artistas que já tinham uma trajetória, que começaram na década de 80. Aí eu estou me referindo a Edilson Rygaard, Jason Wallace, Flávio, Aurino Xavier, que vinha da universidade, tinha feito o curso de formação de ator, Luciano, que faleceu, Roberto Costa… Quer dizer, toda aquela patota. Ah, eu vou acabar esquecendo… J. Ribeiro, enfim, vou acabar esquecendo… Claudet! Como esquecer da Claudet? Então, acho que falei de todo mundo. Ufa!

Gabi de Sá: Para dar um fechamento aqui no nosso bate-papo: para quem faz teatro hoje e não viveu esse período, por que conhecer a história dos anos 90 é importante?

Gabi de Sá: Eu acho que por uma questão de identidade a gente se identifica com as dificuldades, com os avanços, até para a gente não imaginar que tá criando a pólvora. Acontece muito isso. Às vezes um grupo de teatro divulga uma como se fosse uma grande novidade. Ora, aquilo já foi feito há tanto tempo atrás. Eu lembro quando surgiu aquele movimento teatro em casa, ai que coisa nova, gente. Na década de 60 já existia essa iniciativa. Então pra gente não não ser anacrônico e pensar que tudo é novidade e na questão da identidade. E eu acho que a gente conhecendo o passado, a gente ganha força para seguir em frente, porque a gente vê quantas dificuldades foram enfrentadas e as pessoas superaram aquilo. Superaram. Tô dando exemplo. Se a década de 90 é um período de crise, nos anos 2000 a gente tem um reflorescimento do teatro pernambucano, inclusive pro restante do Brasil, que passou a prestar atenção no que tá sendo feito aqui. A gente tava meio amorfo naquele momento. Então eu acho que olhar a história não é no sentido só do passado, é do que eu posso fazer pro futuro. Eu acredito nisso como historiador. Eu defendo essa.

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Curtiu? Confira mais dessa entrevista na íntegra através do nosso YouTube. Toda quinta-feira publicamos a coluna #TBT101, onde o ouvinte relembra entrevistas importantes que a 101.5 trouxe na grade de programação.