Capa do disco, lançado em 2024.
Por Igor Cordeiro
A riqueza cultural das feiras populares nordestinas ganharam destaque neste trabalho do Forró Casamarela, lançado em 2024. Em um bate-papo com Gabriele Alves, no programa BR-101.5, cujo tema foi o álbum “Forró na Feira”, projeto que reúne composições inspiradas nos sons, personagens, histórias e afetos presentes nesses espaços tão importantes para a vida cultural e econômica da região, os integrantes do Forró Casamarela falaram sobre a construção do disco, as referências musicais que influenciaram o trabalho e a relação da banda com o forró tradicional. O álbum busca valorizar elementos da cultura popular nordestina, transformando em música experiências que fazem parte do cotidiano das feiras, dos mercados públicos e dos encontros comunitários.
Além de apresentar detalhes sobre as faixas do projeto, o grupo destacou a importância de preservar e renovar a tradição forrozeira, dialogando com novas gerações sem perder a essência dos ritmos que marcaram a história do Nordeste.
Confira um trecho dessa entrevista, veiculada originalmente em 18 de junho de 2024:
Gabi Alves: O grupo foi formado desde 2017, foi ali nessa época pré pandemia quase… Como foi chegar aqui agora pra lançar esse álbum?
José Demóstenes (Macaco): A gente já se conhecia dos palcos e tinha uma amizade. Fazíamos farra juntos, participamos do Varanda de Ouro, de grupos de choro e também tocamos samba. Na época, o projeto nem tinha nome, a gente se reunia apenas para tocar. Em determinado momento, eu pedi abrigo, e ele [Junior] me acolheu. Fui morar na casa dele. Até 2017, eu nunca tinha feito uma pesquisa mais aprofundada sobre forró, enquanto Juninho já era forrozeiro de verdade. Morando juntos, cada um acabou influenciando o outro de alguma forma, principalmente nessa musicalidade. E aí a gente morando junto, falei “Bora fazer um forró”, aí ele “Bora, mas como vai ser o nome?”, e eu falei: “Forró Casamarela, a gente não mora em Casa Amarela?”
Gabi Alves: Jorge de Altinho, que vem no disco junto com vocês, tem a ver com esse momento que vocês moraram juntos e compartilham essas referências?
Júnior Teles: Tem a ver que agora, 12 de junho, foi aniversário dessa minha paixão [Macaco], e eu comprei um vinil pra dar de presente a ele.
José Demóstenes (Macaco): Outra curiosidade do Forró Casamarela, que eu acho que entra como terceiro elemento, é que Johnanthan Malaquias vem de Carnaíba, que tem toda uma relação com o interior. Ele entrou por conta de uma situação, a gente tinha marcado um forró assim, do nada, e uma amiga minha quis fazer uma festa no meio desse forró. Aí a gente contou com um sanfoneiro chamado Júlio Cesar Mendes, nosso amigo. O forró tava marcado pras oito, quando deu nove horas Junior falou “Meu irmão, vamo arrumar outro sanfoneiro visse”, aí ligou pra Johnanthan Malaquias e falou “Malaquias, vem fazer um forró pra mim por favor, que eu tô precisando!” Johnanthan chegou, meia hora depois Júlio chegou, aí pronto… Foram duas sanfonas, um forró incrível. Por causa do atraso de Júlio nasceu o Forró Casamarela.
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Confira a entrevista na íntegra através do nosso YouTube. Toda quinta-feira publicamos a coluna #TBT101, onde o ouvinte relembra entrevistas importantes que a Frei Caneca FM trouxe na grade de programação.





