Janaína Serra com as convidadas no estúdio da Rádio Frei Caneca FM.
Por Heitor Vicente
Toda quinta-feira, a Frei Caneca FM publica a coluna #TBT101, onde toda quinta-feira publicamos uma entrevista que já foi ao ar na rádio pública do Recife para você ficar por dentro.
Nessa entrevista do programa Relicário veiculada no dia 30 de Janeiro de 2026, a apresentadora Janaína Serra conversa com as escritoras e poetas Luna Vitrolira e Raíza Figueirêdo sobre como a escrita pode ser uma forma de cuidado com a gente mesmo. Elas falam, de um jeito bem profundo mas acessível, sobre como escrever ajuda a lidar com sentimentos, revisitar memórias e até criar novas formas de enxergar a própria vida.
Confira um trecho do bate-papo:
Janaína Serra: Eu queria que vocês falassem um pouco sobre a arte como potencial de cura. Como vocês entendem isso?
Raíza Figueirêdo: Então a escrita, sim, é uma forma de cura, entendendo aqui a cura enquanto um processo, enquanto algo que não é linear, enquanto algo que é atravessado por várias questões, entendendo como algo complexo e processual… A escrita possibilita a nossa autoexpressão e o nosso autoconhecimento… a criatividade e a escrita são fonte de saúde, são fonte de cura.
Luna Vitrolira: A cura não é um ponto de chegada, é um verbo que se conjuga em gerúndio, curando, mesmo quando dói… não se cura apagando o que aconteceu, mas mudando o lugar onde isso mora dentro da gente… a cura pode chegar em forma de escrita… cada palavra é um gesto de retorno…
Janaína Serra: Como a gente consegue, por meio da poesia, entender os próprios sentimentos e se encontrar ali? Porque, numa escrita que não seja poética, talvez ela não seja capaz de acessar esse lugar.
Luna Vitrolira: […] A forma como a gente diz é o que traz a novidade, é o que vai ser o diferencial para tocar as pessoas. Então, o grande lance da arte é esse: como se diz.
Janaína Serra: Essa pausa eu acho que é uma coisa proposital, né? De tirar as nossas pausas, tirar a pausa da fala, para que a gente não possa pensar, não possa elaborar tudo que vive, tudo ao qual nós somos submetidos, submetidas.
Raíza Figueirêdo: Então, isso tem tudo a ver, Jana, porque a escrita envolve presença, envolve estar atento, estar atenta. Diante de um mundo com tantos estímulos, de uma sociedade da pressa, diante de tantas coisas que a gente observa no dia a dia, e de tantos estímulos tecnológicos também, né? A gente precisa estar atento à poesia que há no cotidiano, à poesia de cada dia, como eu costumo dizer. E estar atento hoje é revolucionário, eu diria, né? E acredito nisso, porque são tantas distrações, são tantos estímulos, que, se a gente não tiver cuidado, a gente acaba sendo engolido pelo piloto automático.
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