PCR

Prefeitura da Cidade do Recife

#TBT101 – Idadismo, com Cacilda Medeiros

Albemar e Cacilda

Cacilda sendo entrevistada por Albemar Araújo durante o Ponto 60 (Foto: print do YouTube)

Por Heitor Vicente

Nesta entrevista do Ponto 60, originalmente veiculada em 07 de setembro de 2025, Albemar Araújo entrevista Cacilda Medeiros, servidora pública da Prefeitura do Recife e atuante na temática do envelhecimento e das velhices. Além disso, ela é especialista em Gerontologia e trabalha na Secretaria Municipal da Cidadania e Cultura de Paz.

Na entrevista, o tema abordado é o idadismo, que é o preconceito, a discriminação ou o tratamento injusto contra uma pessoa por causa da sua idade, bem como as formas de combatê-lo.

Confira algumas perguntas e respostas feitas durante a entrevista:

Albemar Araújo: Como você explica o idadismo?

Cacilda Medeiros: O idadismo não está apenas relacionado às pessoas mais velhas. Uma pessoa jovem também pode sofrer idadismo. É o preconceito em relação à idade da pessoa. Então, um jovem, quando se candidata a um emprego, caso ele tenha, vamos imaginar, 18 anos, e vá se candidatar a uma vaga, na hora da seleção podem dizer para ele: “Não, você está muito jovem para essa profissão, para essa função que a gente quer lhe dar.” Ok? Ele sofreu um idadismo. Só que ele está jovem; no próximo ano ele vai ter 19, depois vai ter 20, 21, 22. Então, esse preconceito por ele ter sido jovem naquele momento tende a deixar de existir.

Mas a pessoa com 60 anos ou mais, quando sofre um preconceito tipo “você não se enquadra aqui em função da sua idade”, sem saber qual é a capacidade dela para aquilo, sem conversar, sem entender a história daquela pessoa, você acaba discriminando-a. Só por isso, pela idade avançada, como as pessoas gostam de dizer. E essa idade só vai ficando cada vez mais avançada.

Albemar Araújo: E como você vê que esse preconceito se manifesta? Em que esferas da vida a gente identifica que aqui se manifestou o preconceito?

Cacilda Medeiros: A gente pode até identificar logo assim, visualmente. Felizmente, não é mais tão aceitável, mas ainda tem lugar, por exemplo, em que a marca para você estacionar no estacionamento da pessoa idosa, ou o banco para você sentar, é aquele velhinho curvado, com óculos, com a bengala e tal. Isso aí é um idadismo, porque nem todo mundo é assim. Esse visual ainda está espalhado pela cidade, mas aquilo não me representa. Aquilo não representa a pessoa idosa do século 21.

Albemar Araújo: Segundo pesquisa elaborada há alguns anos pela Organização Mundial da Saúde, em escala mundial isso é terrível. Em cada duas pessoas, uma é idadista, ou seja, 50%. Então, contra as pessoas idosas, esses 50% já são idadistas. Como combater essa prática tão nociva?

Cacilda Medeiros: Eu acho que a questão do combate é a educação, é a questão da intergeracionalidade, tá? Em todos os espaços. Você vê, por exemplo: constroem uma praça maravilhosa, mas só pensaram nas crianças. Tem que pensar nelas, claro. Eu não tô dizendo que não é para pensar. Mas não pode só pensar numa estrutura etária, né? Porque eu já ouvi idosos dizerem assim: “Não, eu não caminho naquela praça porque bem pertinho tem um campo de vôlei e a bola às vezes bate em mim. Eu não caminho ali porque tem muita criança passando de bicicleta e eu posso bater, eu posso cair.” Então a gente tem que pensar em tudo isso, né? 

Quando se diz assim: “Ah, vamos fazer um espaço que seja acolhedor para a pessoa idosa.” Vamos, massa. Mas o que você vai colocar lá? Procura saber qual é o interesse dela, né? Procura saber realmente se ela só quer caminhar ou se quer fazer mais alguma coisa.E quando você abre espaço, Albemar, lota. Qualquer espaço destinado às pessoas com 60 anos ou mais, sem preconceito. Tem aquela frase que eu adoro, que você conhece, que eu digo que não pode ser uma política BBB: baile, bingo e bolo. Não pode. Eu tenho que pensar em tudo: no profissionalismo dela, no lazer dela, na educação, né? Então eu tenho que pensar realmente no que é que eu posso fazer para integrar essas pessoas. 

Aí eu trago, por exemplo, o caso do COMPAZ. O COMPAZ, onde eu tô agora, na Rede Compaz, na hora em que foi pensado, há quase dez anos, ele foi pensado para o jovem, para a criança, por causa daquela questão da violência que estava gritante naquele momento. Mas o que aconteceu? Os jovens estão lá, porque têm que estar mesmo, estão em formação, em atividade física, socializando e tal. Mas os idosos também estão, porque encontraram um ambiente acolhedor. Eles encontraram uma piscina que frequentam do mesmo jeito que uma criança que está aprendendo a nadar. Ele também está aprendendo a nadar ali. A hidroginástica está para ele, né? As outras atividades esportivas, o funcional e tal. Então, pensar em lugares para combater esse idadismo é pensar em lugares onde eu possa chegar e encontrar uma senhora nadando junto de mim, entendeu?

***
Curtiu? Confira mais dessa entrevista na íntegra através do nosso YouTube. Toda quinta-feira publicamos a coluna #TBT101, onde o ouvinte relembra entrevistas importantes que a 101.5 trouxe na grade de programação.