Show de Lenine no Marco Zero, durante a abertura do Carnaval do Recife 2026. (Foto: Tatiane Barreto)
Por Heitor Vicente
Neste bate-papo, originalmente veiculado no Papo de Artista, com Manoel Constantino em fevereiro de 2026, o heptacampeão do Grammy Latino Lenine fala sobre seu novo álbum, intitulado EITA. Durante a entrevista, ele comenta as angústias que enfrentou no período da pandemia, a diversidade de significados que a palavra “eita”, tão usada no Nordeste, carrega e também as reflexões que surgiram após a homenagem que recebeu do Carnaval do Recife. O artista largou o curso de Engenharia para viver da música e consagrou-se como um dos maiores nomes na música brasileira.
Confira um trecho da conversa:
Manoel Constantino: Junto com o álbum, você traz um filme chamado “Fiz as pazes comigo mesmo.” Isso tem um significado muito interessante para a gente. Quer dizer que você estava emperrado?
Lenine: Eu passei por uma depressão, uma depressão muito profunda. E acho que não fui só eu, não. Mais da metade do Brasil sofreu, porque foi imposto aos brasileiros viver uma Idade Média que ninguém imaginava reviver: aquela conjunção de pandemia e o pandemônio que foi o governo Bolsonaro no país. Essa ascensão da extrema direita nos levou a um lugar muito obscuro. Acho que todo mundo que tem alguma honestidade com o sentimento coletivo sofreu muito, porque, nesse momento, o egoísmo foi exacerbado.
Manoel Constantino: A que se devem essas escolhas e homenagens?
Lenine: Na verdade, colaborou para mim o fato de ter descoberto que a sigla MPB, que nos define, é meio limitadora hoje em dia, porque restringe. A MPB (Música Popular Brasileira) acaba sendo vista como um nicho estético. Eu acho que o que existe hoje é a MCB, que é a Música Contemporânea Brasileira. Nesse sentido, é uma definição muito mais ampla e diversa. Qualquer expressão urbana é música contemporânea brasileira. E, nesse sentido, escolhi esses quatro nomes porque são, talvez, as maiores referências de música contemporânea brasileira para mim.
Manoel Constantino: Depois de todo esse tempo, desde o primeiro álbum até agora, com “Eita”, o que você soma dessa trajetória?
Lenine: Rapaz, eu não somo, eu multiplico. Porque foram todas essas experiências que me trouxeram até aqui. Foram todas essas experiências que me formaram.
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