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#TBT101 – Batucada e as mulheres: o samba também é nosso!, com Iara Lima

Iara Lima em entrevista com Gabriele Alves no BR-101.5. (Foto: Print do YouTube)

Toda quinta-feira, a Frei Caneca FM publica a coluna #TBT101, onde toda relembramos entrevistas que foram ao ar na rádio pública do Recife. Se você perdeu, pode ficar por dentro agora!

Nesta semana, o convite é para relembrar um conversa super informativa, veiculada no dia 27 de março de 2024 no BR-101.5, conduzido pela apresentadora Gabriele Alves. A convidada foi a jornalista Iara Lima, curadora e apresentadora do programa Batucada, um dos mais antigos da grade da Frei Caneca FM. 

Amante do samba, ela compartilha que o ritmo está presente em sua vida desde a infância. Ao longo da entrevista, são abordadas as questões relacionadas às mulheres no samba e os desafios que o público feminino enfrenta nesse espaço.

Confira um trecho do bate-papo:

Gabriele: Iara faz o Batucada desde que o microfone desta emissora foi aberto, não é isso?

Iara: Na verdade, foi um convite. O Batucada já existia na grade da rádio e estava sem voz. Naquele momento, a gestão da emissora percebeu, pelas minhas redes sociais, que eu gostava de samba. Eu costumo dizer que não entendo de samba, mas que gosto; o que entendo mesmo é de jazz. Ainda assim, o samba é o ritmo mais brasileiro que temos, o que melhor representa o país de norte a sul. Você pode ir a qualquer estado brasileiro e sempre vai encontrar o samba com seu sotaque regional. Existe o samba amazônico, que difere do samba pernambucano, com influência do maracatu, e que por sua vez se distingue do samba baiano e do samba paulista. É um gênero muito democrático, um espaço em que cabem todos, todas e todes. Recebi esse desafio e entrei nessa experiência. Faço o programa de forma voluntária desde junho de 2018. Na época, fiz duas exigências: ter autonomia sobre a seleção musical e garantir equidade de gênero. Desde então, todos os programas seguem o critério de 50% de artistas homens e 50% de artistas mulheres. Além disso, estabeleci que pelo menos 25% do tempo, em um programa de duas horas, fosse dedicado à produção pernambucana. Até hoje, conseguimos cumprir essas metas.

Gabriele: Desde 2018, quando a rádio abriu os microfones até hoje, tu sentes que o Batucada se transformou? Mudaram algumas coisas ou o programa manteve o padrão?

Iara: O que eu mudei no programa foi o seguinte: antes, eu reservava um bloco fechado para homenagens, como ainda existe hoje, e havia também outro bloco dedicado exclusivamente à música pernambucana. Depois, percebi que seria melhor mesclar a música pernambucana ao longo de toda a programação. A intenção é justamente fazer com que as pessoas conheçam esse repertório. Sempre faço questão de incluir o samba pernambucano, mas, quando se coloca uma sequência longa, de cerca de meia hora, com músicas que o público ainda não conhece, pode acontecer de a pessoa se desinteressar e procurar algo mais familiar em outra emissora.

Hoje, a dinâmica é diferente. Coloco, por exemplo, um Zeca Pagodinho e, na sequência, já trago um grupo pernambucano, como o Terra. Depois, posso incluir Arlindo Cruz, Luísa Pérola, e assim por diante. A ideia é manter sempre o equilíbrio entre homens e mulheres e distribuir a música pernambucana ao longo dos blocos. Com exceção do bloco de homenagem, cada parte do programa necessariamente inclui o samba pernambucano, seja com grupos ou artistas locais.

Gabriele: Inclusive, isso não acontece só por lá, aqui também temos nossas escolas de samba, que são patrimônios e tudo. 

Iara: Então, o samba pernambucano também se desenvolve nesse contexto. As escolas de samba surgiram ali na década de 1920, no Rio de Janeiro, e o Recife já entra nessa onda. No entanto, o samba acabou sendo muito apagado no Recife por conta de, com todo respeito a Capiba, uma espécie de cruzada nos meios de comunicação, defendendo que aqui era terra de frevo e que seria um absurdo ter samba. Com isso, o samba perde seu espaço nobre na sociedade pernambucana e acaba sendo empurrado de volta para o lugar de onde surge, que é a periferia.

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Curtiu? Confira essa entrevista na íntegra através do nosso YouTube. Toda quinta-feira publicamos a coluna #TBT101, onde o ouvinte relembra entrevistas importantes que a 101.5 trouxe na grade de programação.