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Prefeitura da Cidade do Recife

#TBT101 –  Documentário fantástico Toré Virtual – Uxilnexa Dmanedwa

Manoel Constantino e Hugo Fulni-ô, diretor e roteirista indígena.

Por João Pedro Santos

Toda quinta-feira é dia de #TBT101 na Frei Caneca FM, onde relembramos entrevistas que marcaram a nossa programação. Hoje, voltamos a abril de 2025 para recordar um bate-papo especial no Calor da Rua, apresentado por Manoel Constantino.

O programa recebeu Hugo Fulni-ô, diretor e roteirista do documentário em realidade virtual Toré Virtual – Uxilnexa Dmanedwa. Integrante do Coletivo Fulni-ô de Cinema, Hugo compartilhou a experiência de lançar a produção durante o 21º Acampamento Terra Livre, em Brasília, e falou sobre como o audiovisual se tornou uma ferramenta de fortalecimento da memória e da identidade do povo Fulni-ô.

Durante o bate-papo, Hugo contou como nasceu o projeto, resultado de mais de uma década de atuação com o cinema indígena. Produzido em realidade virtual, o curta proporciona uma experiência imersiva no Toré, manifestação sagrada que reúne espiritualidade, ancestralidade e resistência. Para o diretor, a tecnologia amplia o diálogo entre tradição e inovação, aproximando novos públicos da cosmovisão dos povos originários.

O realizador destacou o desafio de reunir diferentes gerações da comunidade na produção do filme. Anciãos, jovens e crianças participaram das gravações, reforçando a continuidade dos conhecimentos tradicionais e preservando a língua, os cânticos e os rituais do povo Fulni-ô.

Além de apresentar os bastidores de Toré Virtual, Hugo refletiu sobre os desafios enfrentados pelos realizadores indígenas no Brasil, especialmente a necessidade de políticas públicas voltadas ao cinema produzido pelos povos originários. Segundo ele, incentivar essas produções é garantir que as comunidades possam contar suas próprias histórias a partir de seus olhares e vivências.

A conversa também passou pelo protagonismo indígena nas novas tecnologias. Para Hugo, utilizar câmeras, celulares e recursos audiovisuais não diminui a identidade dos povos originários. Pelo contrário, essas ferramentas fortalecem a preservação da cultura e permitem que os saberes ancestrais alcancem as próximas gerações.

Confira um trecho do bate-papo:

Manoel Constantino: Como homem indígena, o que tem valido a pena nessa experiência de usar o audiovisual como forma de preservar a tradição do seu povo?

Hugo Fulni-ô: É uma luta constante. Nossos ancestrais passaram por um processo muito forte de apagamento cultural. Hoje seguimos construindo esse caminho através do cinema. É um trabalho de formiguinha, mas que, lá na frente, vai servir tanto para a comunidade quanto para pesquisadores e para quem quiser conhecer nossa história.

Manoel Constantino: Que recado você deixa para o jovem indígena que sonha em trabalhar com cinema?

Hugo Fulni-ô: O recado que eu passo é que ele enxergue a nossa realidade étnica, cultural e linguística e contribua com esse repasse de saberes de outra forma. Trabalhar com o cinema indígena é uma ferramenta para afirmar a nossa identidade e fortalecer os nossos saberes dentro dessas novas tecnologias.

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Curtiu esse trecho? Confira a entrevista na íntegra através do nosso canal no YouTube. Toda quinta-feira publicamos a coluna #TBT101, onde o ouvinte relembra entrevistas importantes que a 101.5 trouxe na grade de programação.